No contexto da cadeia de custódia, os formulários de rastreabilidade (frequentemente chamados de planilhas ou formulários de cadeia de custódia) são documentos indispensáveis para garantir a continuidade da linha do tempo e a integridade da evidência digital.

Abaixo, detalho as informações essenciais e os procedimentos relacionados a esses formulários conforme as fontes:

1. Objetivo do Formulário

O formulário visa garantir a rastreabilidade dos vestígios por meio do controle rigoroso de toda a sua movimentação. Ele serve para identificar onde a evidência está a cada momento e quem é o responsável por ela, evitando questionamentos judiciais sobre a legitimidade das informações coletadas.

2. Informações Mínimas Obrigatórias

De acordo com as normas da SENASP (Portaria 82/2014), cada vestígio deve ser registrado individualmente, contendo, no mínimo:

  • Identificação do Vestígio: Especificação, quantidade e numeração individualizada (etiqueta).
  • Dados da Coleta: Local exato, data, hora e identificação funcional do agente coletor.
  • Histórico de Custódia: Nome e identificação funcional dos agentes que entregaram e receberam a mídia, com as respectivas assinaturas, rubricas e protocolos de recebimento.
  • Vínculo Processual: Número do procedimento e unidade de polícia judiciária à qual o vestígio está vinculado.

3. Detalhes Técnicos e Periciais

Além dos dados de movimentação física, o formulário deve registrar aspectos técnicos da preservação digital:

  • Detalhes do Equipamento: Fabricante, modelo e número de série.
  • Dados da Imagem Forense: Data/hora da criação, perito responsável, método utilizado (softwares como Encase, FTK ou dd) e nome da imagem.
  • Garantia de Integridade: Registro das funções Hash (MD5, SHA1 ou SHA256), que atuam como a “assinatura digital” da evidência.

4. Registro de Manuseio e Lacres

O formulário funciona como uma ficha de acompanhamento durante toda a análise.

  • Rompimento de Lacres: Qualquer abertura de recipiente deve ser motivada e documentada no formulário, registrando-se o nome do perito, a finalidade e os dados do novo lacre utilizado.
  • Preservação Física: O lacre rompido deve ser guardado dentro do novo recipiente para manter o histórico físico da prova.

5. Fases de Registro

As fontes dividem o preenchimento em duas fases principais:

  • Fase Externa: Do isolamento do local do crime até o transporte e recebimento no órgão pericial.
  • Fase Interna: Compreende a recepção, classificação, análise pericial propriamente dita, guarda para contraperícia e a devolução final do vestígio juntamente com o laudo.

A ausência ou falha no preenchimento desses formulários deixa as evidências sem documentação, tornando sua integridade questionável perante o juiz e podendo resultar na nulidade ou ilicitude da prova.